Idade Contemporânea
A influência na nossa ginástica localizada começa
a se desenvolver na Idade Contemporânea e quatro grandes escolas
foram as responsáveis por isso: a alemã, a nórdica,
a francesa, e a inglesa.
A alemã, influenciada por Rousseau e Pestalozzi, teve como destaque
Johann Cristoph Friederick Guts Muths (1759-1839) considerado pai da
ginástica pedagógica moderna. A derrota dos alemães
para Napoleão deu origem a outra ginástica. A turnkunst,
criada por Friederick Ludwig Jahn (1788-1825) cujo fundamento era a
força. "Vive Quem é Forte", era seu lema e nada
tinha a ver com a escola. Foi ele quem inventou a barra fixa, as barras
paralelas e o cavalo, dando origem à Ginástica Olímpica.
A escola voltou a ter seu defensor com Adolph Spiess (1810-1858) introduzindo
definitivamente a Educação Física nas escolas alemãs,
sendo inclusive um dos primeiros defensores da ginástica feminina.
A escola nórdica escreve a sua história através
de Nachtegall (1777-1847) que fundou seu próprio instituto de
ginástica (1799) e o Instituto Civil de Ginástica para
formação de professores de Educação Física
(1808).
Por mais que um profissional de Educação Física
seja desligado da história, pelo menos algum dia já ouviu
falar em ginástica sueca, um grande trampolim para o que se conhece
hoje. Per Henrik Ling (1766-1839) foi o responsável por isso
levando para a Suécia as idéias de Guts Muths após
contato com o instituto de Nachtegall. Ling dividiu sua ginástica
em quatro partes: a pedagógica - voltada para a saúde
evitando vícios posturais e doenças, a militar - incluindo
o tiro e a esgrima, a médica - baseada na pedagógica evitando
também as doenças e a estética - preocupada com
a graça do corpo.
Alguns fundamento ideológicos de Ling valem até hoje tais
como o desenvolvimento harmônico e racional, a progressão
pedagógica da ginástica e o estado de alegria que deve
imperar uma aula. Claro, isso depende do austral e o carisma do profissional.
Um do seguidores de Ling, o major Josef G. Thulin introduz novamente
o ritmo musical à ginástica e cria os testes individuais
e coletivos para verificação da performance.
A escola Francesa teve como elemento principal o espanhol naturalizado
Francisco Amoros Y Ondeano (1770-1848).
Inspirado em Rabelais, Guts, Jahn e pestalozzi, dividiu sua ginástica
em: Civil e Industrial, Militar, Médica e Cênica. Outro
nome francês importante foi G. Dêmey (1850-1917). Organizou
congresso, cursos (inclusive o Superior de Educação Física),
regiu o Manual do Exército e também era adepto à
ginástica lenta, gradual, progressiva, pedagógica, interessante
e motivadora.
O método natural foi defendido por Georges Herbert (1875-1957):
correr, nadar, trepar, saltar, empurrar, puxar e etc.
A nossa Educação Física, a brasileira teve grande
influência na Ginástica Calistenia criada em 1829 na França
por Phoktion Heinrich Clias (1782-1854).
A escola inglesa baseava-se nos jogos e nos esportes, tendo como principal
defensor Thomas Arnold (1795-1842) embora não fosse o criador.
Essa escola também ainda teve a influência de Clias no
treinamento militar.
Calistenia
É por assim dizer, o verdadeiro marco do desenvolvimento da ginástica
moderna com fundamentos específicos e abrangentes destinada à
população mais necessitada: os obesos, as crianças,
os sedentários, os idosos e também às mulheres.
Calistenia, segundo Marinho (1980) citado por Marcelo Costa, vem do
grego Kallos (belo), Sthenos (força) e mais o sufixo "ia".
Com origem na ginástica sueca apresenta um divisão de
oito grupos de exercícios localizados associando música
ao ritmo dos exercícios que são feitos à mão
livre usando pequenos acessórios para fins corretivos, fisiológicos
e pedagógicos.
Os responsáveis pela fixação da Calistenia foram
o Dr. Dio Lewis e a (A. C. M.) Associação Cristã
de Moços com proposta inicial de melhorar a forma física
dos americanos que mais precisavam. Por isso mesmo, deveria ser uma
ginástica simples, fundamentada na ciência e cativante.
Em função disso o Dr. Lewis era contra os métodos
militares sob alegação que as mesmas desenvolviam somente
a parte superior do corpo e os esportes atléticos não
proporcionavam harmonia muscular. Em 1860 a Calistenia foi introduzida
nas escolas americanas.
No Brasil dos anos 60 começou a ser implantada nas poucas academias
pelos professores da A. C. M. ganhando cada vez mais adeptos nos anos
70 sempre com inovações fundamentadas na ciência.
Sendo assim o Dr. Willian Skarstrotron, americano de origem sueca, dividiu
a Calistenia em 8 grupos diferentes do original: braços e pernas,
região póstero-superior do tronco, póstero-inferior
do tronco, laterais do tronco, equilíbrio, abdômen, ombros
e escápulas, os saltitos e as corridas.
Nos anos 80 a ginástica aeróbica invadiu as academias
do Rio de Janeiro e São Paulo abafando um pouco a calistenia.
Como na Educação Física sempre há evolução
também em função dos erros e acertos. Surge então,
ainda no final dos anos 80 a ginástica localizada desenvolvida
com fundamentos teóricos dos métodos da musculação
e o que ficou de bom da Calistenia. A ginástica aeróbica
de alto impacto causou muitos microtraumatismos por causa dos saltitos
em ritmos musicais quase alucinantes. A musculação surgiu
com uma roupagem nova ainda nos anos 70 para apagar o preconceito que
algumas pessoas tinham com relação ao Halterofilismo.
Hoje, sob pretexto da criatividade, a ginástica localizada passa
por uma fase ruim com alguns professores ministrando aleatoriamente,
aulas sem fundamentos específicos com repetições
exageradas, fato que a ciência já reprovou, principalmente
se o público alvo for o cidadão comum.
Autor:
Prof. Luiz Carlos de Moraes
CREF1 RJ 3529